Ane Caroline da Silva
O Lobo · Brasa Pura

sob a lua cheia, quando não há onde se esconder
Ane Caroline da Silva, teu nome foi soprado na cinza quente onde a matilha inteira descansa e vigia.
Eu te escolhi, Ane Caroline, porque quando a roda inteira espera alguém falar e tu dizes que espera mais um pouco porque quase sempre aparece alguém, tu revelas a paciência de quem não gasta o fôlego à toa. Vi tua têmpera quando combinam algo sem te consultar e tu falas na hora que não foi assim, sem engolir desaforo. E quando o plano desanda e tu assumes, dizendo o próximo passo antes de discutir, entendi que teu instinto é o de quem lidera pelo fogo, cortando o mato alto com passos firmes e sem pedir licença para existir.
O teu Sol em Escorpião carrega o peso de quem não aceita a superfície, preferindo o corte limpo de quem corta o laço podre sem fazer cena, tal como quando cortas quem não devia sem voltar atrás. Mas tua Lua em Áries empurra esse fundo escuro para a frente, fazendo com que tu respondas à crítica na hora, sem engolir em público, e aceites o sacode quando muda tudo de uma vez porque alguma parte de ti gosta do tranco. Essa mistura faz de ti uma brasa que queima por dentro antes de decidir onde vai pisar.
Eu vim te lembrar que a lealdade feroz que guardas para a tua matilha escolhida não precisa vir acompanhada de armaduras o tempo todo, especialmente quando estás deitada às três da manhã com a cabeça a andar sozinha. Tu sabes ficar por perto em silêncio quando alguém chora sem encostar, mas precisas aprender a descansar o peso do mundo que assumes antes que ele te queime por dentro. Deixa o fogo aquecer tua toca, pois nem toda fogueira precisa ser mantida a ferro e fogo para continuar acesa.
Onde o instinto morde, o fogo guia.